17 novembro 2011
21 setembro 2011
Dizem que acho que sou Americano.
Alguns me criticam, dizendo que acho que sou Americano.
Realmente eu dirijo uma Explorer automática, clássica SUV americana, sou torcedor apaixonado do NY Yankees, time de meu esporte preferido, o Baseball. Tomo café da manhã no McDonald´s, bebo Pepsi o dia inteiro, considero Burger King o melhor em sanduíche e não consigo passar em branco por uma Starbucks.
Tenho a certeza de que sou brasileiro, quando espero 40 minutos por um ônibus, pois preciso deixar o carro na garagem devido ao preço do combustível e do conserto de minha suspensão quebrada pelos inúmeros buracos das ruas de minha cidade. Quando leio a notícia de que os políticos de meu país absolveram uma corrupta assumida, para não abrirem precedente. Quando vejo as crianças de meu país, passando de ano na escola sem precisar estudar, para o governo dizer que acabou com a repetência, quando vejo que pessoas morrem em filas de hospitais e nossos governantes curtem a verba da saúde em luxos pessoais. O povo de meu país não vê problema se nossa presidenta apóia um bandido italiano, mas reclama até a alma se nosso técnico não escala esse ou aquele jogador.
...
Sim, eu sou brasileiro, e infelizmente, não me orgulho disso.
Ser Brasileiro...
Lamentável ver que mais uma vez nossos governantes sucumbiram ao Lobby (dinheiro) das montadoras "nacionais" (Volks é alemã, Fiat italiana, ford e chevrolet americanas...). Ora, por que o brasileiro vai pagar R$37.000,00 num carro completo, inclusive dotado de itens de segurança como abs e air bag, se ele pode pagar R$35.000,00 por um gol pelado??? Nossa política é piada, se a concorrência incomoda tanto, é por que há algo errado com nossa indústria. A desculpa de que precisamos proteger a indústria nacional para poupar empregos é ridícula; e as milhares de concessionárias instaladas no Brasil, das empresas estrangeiras que investiram e acreditaram neste País? Se fecharem, muitos também perderão os seus empregos; e os brasileiros que já compraram carros dessas marcas e ficarão sem suporte???
Nossos políticos são uns m...(sic), querem mesmo ajudar à indústria nacional? Cortem os impostos!
(Rodrigo Otavio Pinheiro)
31 agosto 2011
Miguel Pereira, hoje e amanhã: uma visão.
Qual seria, nos dias atuais, a vocação da cidade? Gostaríamos, ainda, de ser a “Cidade das Rosas”? Será que nos reconhecem, ainda, como o 3º Clima do Mundo, título, segundo afirmam, concedido pela ONU? Somos, ainda, um paraíso para a terceira idade? Que sucessão de “ainda”! Veraneio ou turismo, qual a nossa vocação? No meu entender, que não é compartilhado por muitos, é muito importante no nível estratégico essa definição, pois quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Não creio ser nosso caso: temos que implantar um rumo de redenção, de rompimento com a estagnação da cidade. Ao se olhar para o passado, veremos o pouco de transformações positivas que temos experimentado.
Na total incapacidade dos poderes políticos municipais estabelecidos, a sociedade deve se mobilizar, por meio de suas forças vivas, ou de alguma liderança política emergente ou aspirante, para atuar na busca do desenvolvimento da cidade.
A atuação dessas forças pode ser em suas esferas de atribuições e atividades ou, o que seria mais desejável, em uma conjunção de forças diversificadas, o que exigiria uma liderança capaz de coordenar os diferentes esforços para colimar o objetivo do desenvolvimento municipal.
O meio mais importante para vicejarem essas ideias progressistas é o empresarial, em face, quer de sua visão empreendedora, quer de seu natural interesse na defesa do próprio capital.
Os eventos que estão em vias de acontecer no Rio de Janeiro, Copa do Mundo em 2014 e, principalmente, as Olimpíadas de 2016, não podem em hipótese alguma ser desconsiderados para a redenção de Miguel Pereira, seja qual for a vocação adotada.
Se alguma liderança política for cooptada pelo movimento orquestrado por forças alheias ao meio político atual, aquela não deverá ter voz dominante, ao menos, no primeiro momento, visando não ser transformado o movimento transformador em bandeira política e palanque para as próximas eleições de 2012.
Entretanto, nada impede que as ideias do movimento sejam adotadas por uma agremiação político-partidária, realmente alinhada com a corrente e, publicamente, comprometida com a causa do desenvolvimento local; não se pode esquecer de verificar a linha nacional dessa agremiação, que não pode ser antagônica da adotada no município.
Como já existe uma movimentação de alguns empresários, há que se apoiá-los, direcionando o movimento em surgimento para a direção geral desejada de desenvolvimento municipal e não somente de obtenção de metas parciais.
Muita atenção deve ser dedicada ao estudo de objetivos de qualquer adesão posterior ao estabelecimento do grupo transformador, pois, indubitavelmente, aparecerão colaboradores e falsos parceiros oportunistas, mormente, em época pré-eleitoral. Estes, uma vez, identificados, deverão ser impedidos, firmemente, de se agregar ao movimento.
Outra corrente bastante interessante de ser ouvida é a dos clubes de serviço e maçonaria, normalmente afeitos a tudo que diz respeito ao bem comum da comunidade.
Em momento algum o movimento deve se elitizar, esquecendo que o apoio popular é fundamental para o seu crescimento. Por conseguinte, no bojo dos projetos de desenvolvimento, deve haver projetos sociais e dedicados aos jovens, eliminando a possibilidade de que o terreno de plantio de políticos tradicionais e não comprometidos com os verdadeiros interesses da comunidade continue a seu dispor para manter seus objetivos menores e clientelistas.
Tem que haver a imposição e domínio pela palavra em todos os setores da sociedade miguelense.
14 agosto 2011
UMA PRECE DE SAUDADE
Onde estiveres, ouve-me.
De onde puderes, guia-me,
pois sei que estás longe, além,
bem além da minha imaginação.
Ou próximo, até ao meu lado,
em dimensão estranha, talvez estejas.
Não importa, te amo,
tardia, porém sinceramente.
Amo-te pelos sentimentos bons
que tua lembrança me inspira.
Amo-te pelas recordações sadias
que, lado a lado, criamos.
As lágrimas que me escapam,
não são da fraqueza, que odiavas,
mas da nobreza d*alma, que veneravas.
Amo-te na aflita esperança
de um futuro encontro.
Amo-te com a força de ser teu filho,
pai.
09 agosto 2011
IMPORTANTÍSSIMO, BRASILEIROS!!!!
Caros Amigos (as).
Para sua informação e conhecimento.
Há 200 anos Napoleão Bonaparte fez uma profecia, que começa a se concretizar, ao dizer:
"Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, o mundo vai estremecer".
A China do Futuro
e o Futuro é Hoje...
A verdade é que agora, tudo o que compramos é "Made in China".
.......Eis um aviso para o futuro!
Mas quem liga para esse aviso?
Atualmente ....Ninguém !
Agora é só ....aproveitar E APROVEITAR ...!
E depois como será para os nossos filhos ?
JÁ PENSOU COMO FICARÁ A CHINA DO FUTURO?
Por Luciano Pires - Luciano Pires é diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação .
Alguns conhecidos voltaram da China impressionados.
Um determinado produto que o Brasil fabrica em um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões...
A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante.
Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas...
Com preços que são uma fração dos praticados aqui.
Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.
Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.
Quando comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios.... estamos perante uma escravatura amarela e alimentando-a...
Horas extraordinárias? Na China...? Esqueça !!!
O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego que trabalha horas extras sabendo que não vão receber nada por isso...
Atrás dessa "postura" está a grande armadilha chinesa.
Não se trata de uma estratégia comercial, mas sim de uma estratégia " de poder" para ganhar o mercado ocidental .
Os chineses estão tirando proveito da atitude dos 'marqueteiros' ocidentais, que preferem terceirizar a produção ficando apenas com o que ela "agrega de valor": a marca.
Dificilmente você adquire atualmente nas grandes redes comerciais dos Estados Unidos da América um produto "made in USA".
É tudo "made in China", com rótulo estadunidense.
As Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares...
Apenas lhes interessa o lucro imediato e a qualquer preço.
Mesmo ao custo do fechamento das suas fábricas e do brutal desemprego. É o que pode-se chamar de "estratégia preçonhenta".
Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila essas táticas, cria unidades produtivas de alta performance, para dominar no longo prazo.
Enquanto as grandes potências mercadológicas que ficam com as marcas, com os designes...suas grifes, os chineses estão ficando com a produção, assistindo, estimulando e contribuindo para o desmantelamento dos já poucos parques industriais ocidentais.
Em breve, por exemplo, já não haverá mais fábricas de tênis ou de calçados pelo mundo ocidental. Só haverá na China.
Então, num futuro próximo veremos os produtos chineses aumentando os seus preços, produzindo um "choque da manufatura", como aconteceu com o choque petrolífero nos anos setenta. Aí já será tarde demais.
Então o mundo perceberá que reerguer as suas fábricas terá um custo proibitivo e irá render-se ao poderio chinês.
Perceberá que alimentou um enorme dragão e acabou refém do mesmo.
Dragão este que aumentará gradativamente seus preços, já que será ele quem ditará as novas leis de mercado, pois será quem manda, terá o monopólio da produção .
Sendo ela e apenas ela quem possuirá as fábricas, inventários e empregos é quem vai regular os mercados e não os "preçonhentos".
Iremos, nós e os nossos filhos,netos... assistir a uma inversão das regras do jogo atual que terão nas economias ocidentais o impacto de uma bomba atômica... chinesa.
Nessa altura em que o mundo ocidental acordar será muito tarde.
Nesse dia, os executivos "preçonhentos" olharão tristemente para os esqueletos das suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando boliche no clube da esquina, e chorarão sobre as sucatas dos seus parques fabris desmontados.
E então lembrarão, com muitas saudades, do tempo em que ganharam dinheiro comprando "balatinho dos esclavos" chineses, vendendo caro suas "marcas- grifes "aos seus conterrâneos.
E então, entristecidos, abrirão suas "marmitas" e almoçarão as suas marcas que já deixaram de ser moda e, por isso, deixaram de ser poderosas pois foram todas copiadas....
REFLITAM E COMECEM A COMPRAR JÁ OS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO NACIONAL, FOMENTANDO O EMPREGO EM SEU PAÍS, PELA SOBREVIVÊNCIA DO SEU AMIGO, DO SEU VIZINHO E ATÉ MESMO DA SUA PRÓPRIA... E DA DE SEUS DESCENDENTES.
11 abril 2011
CURTO E SÁBIO...
Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do
Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito
simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista. Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.
"A vida na Terra é somente uma passagem...
No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente,
e esquecem-se de serem felizes."
"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL...
SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA...”
Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito
simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista. Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.
"A vida na Terra é somente uma passagem...
No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente,
e esquecem-se de serem felizes."
"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL...
SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA...”
27 janeiro 2011
PASSEIO SOCRÁTICO
"Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos, e em paz nos seus mantos cor de açafrão...
Em outro dia, eu observava o movimento do Aeroporto de São Paulo: a sala de espera estava cheia de Executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado o seu café da manhã em casa; mas, como a companhia aérea oferecia outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos vistos por mim, até aqui, realmente produz felicidade?".
Passados alguns dias, encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?". E ela me respondeu: "Não. Eu só tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom! Isto significa, então, que, de manhã, você pode brincar, ou dormir até mais tarde!...". "Não;", retrucou-me ela, "tenho tanta coisa a fazer, de manhã...". "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês; de balé; de pintura; piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada... Fiquei pensando: "Que pena! A Daniela não me disse: "Tenho aula de meditação".
Vê-se que estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas, emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo... Mas, preocupo-me com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos. Alguns perguntaram "Como estava o defunto?". E outros responderão: "Olha..., uma maravilha, não tinha uma celulite!"...
Mas, como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação, porém, de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é "entretenimento". Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil, o apresentador; imbecil, quem vai lá e se apresenta no palco; imbecil, quem perde a tarde diante da telinha...
E como a publicidade não consegue vender felicidade, ela nos passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro..., você chega lá!".
O problema é que, em geral, "não se chega"! Pois, quem cede a tantas propagandas desenvolve, de tal maneira, o seu desejo, que acaba precisando de um analista, ou de remédios. E quem, ao contrário, resiste, aumenta a sua neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: a amizade, a auto-estima, e a ausência de estresse.
Mas, há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um Shopping Center. É curioso: a maioria dos Shoppings Centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles, não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de "missa de domingo". E ali dentro se sente uma sensação paradisíaca: não há mendigos, não há crianças de rua, não se vê sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno: aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se vários nichos: capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Mas, aquele que só pode comprar passando cheque pré-datado, ou a crédito, ou, ainda, entrando no "cheque especial", se sente no purgatório.
E pior: aquele que não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald...
Por tudo isto, costumo dizer aos balconistas que me cercam à porta das lojas, que estou, apenas, fazendo um "passeio socrático". E, diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou, apenas, observando quantas coisas existem e das quais não preciso para ser feliz!" (Frei Betto)"
Em outro dia, eu observava o movimento do Aeroporto de São Paulo: a sala de espera estava cheia de Executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado o seu café da manhã em casa; mas, como a companhia aérea oferecia outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos vistos por mim, até aqui, realmente produz felicidade?".
Passados alguns dias, encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?". E ela me respondeu: "Não. Eu só tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom! Isto significa, então, que, de manhã, você pode brincar, ou dormir até mais tarde!...". "Não;", retrucou-me ela, "tenho tanta coisa a fazer, de manhã...". "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês; de balé; de pintura; piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada... Fiquei pensando: "Que pena! A Daniela não me disse: "Tenho aula de meditação".
Vê-se que estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas, emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo... Mas, preocupo-me com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos. Alguns perguntaram "Como estava o defunto?". E outros responderão: "Olha..., uma maravilha, não tinha uma celulite!"...
Mas, como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação, porém, de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é "entretenimento". Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil, o apresentador; imbecil, quem vai lá e se apresenta no palco; imbecil, quem perde a tarde diante da telinha...
E como a publicidade não consegue vender felicidade, ela nos passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro..., você chega lá!".
O problema é que, em geral, "não se chega"! Pois, quem cede a tantas propagandas desenvolve, de tal maneira, o seu desejo, que acaba precisando de um analista, ou de remédios. E quem, ao contrário, resiste, aumenta a sua neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: a amizade, a auto-estima, e a ausência de estresse.
Mas, há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um Shopping Center. É curioso: a maioria dos Shoppings Centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles, não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de "missa de domingo". E ali dentro se sente uma sensação paradisíaca: não há mendigos, não há crianças de rua, não se vê sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno: aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se vários nichos: capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Mas, aquele que só pode comprar passando cheque pré-datado, ou a crédito, ou, ainda, entrando no "cheque especial", se sente no purgatório.
E pior: aquele que não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald...
Por tudo isto, costumo dizer aos balconistas que me cercam à porta das lojas, que estou, apenas, fazendo um "passeio socrático". E, diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou, apenas, observando quantas coisas existem e das quais não preciso para ser feliz!" (Frei Betto)"
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