08 setembro 2005

Reflexões acerca do momento

Hoje estive notando, como existem notícias, normalmente ruins, que nos remetem a reflexões que deveríamos empreender todos os dias e que são fundamentais para termos um mundo (ou, pelo menos, nosso País) melhor.
Para não fugir ao lugar comum, vejamos o lado político, pois é ele que, rapidamente, nos lança no labirinto da natureza humana. Não vou, entretanto, me deter na clássica pergunta acerca da dificuldade que de ser eleito e procurar, verdadeiramente, atingir o já esquecido bem-comum, que é, em última análise, o desejo dos que no poder o colocaram. Não vale a pena, pois serão tantas as variáveis que a verdade será uma agulha no palheiro. Vou ser mais objetivo, tentando, por analogia, vislumbrar o que assalta a mente de outras ordens de pessoas.
Surge, então, a pergunta simples: o que leva os senhores políticos a engendrarem toda espécie de artimanhas para auferirem ganhos astronômicos, de tal tamanho, que excedem à sua capacidade de vida para o consumo dessas riquezas? Temos, necessariamente, que agregar a ela, mesmo que de passagem, o questionamento sobre o abandono dos interesses dos eleitores. Não no sentido político da coisa, mas, principalmente, no sentido social (e em um País como o Brasil, no sentido humano). Em nosso País toma essa conotação em face do abismo social que nos rodeia. Chega a ser cruel assistir uma população de maioria carente, de alguma forma sustentar caprichos de uns poucos (e aqui quero me referir aos enriquecem desonestamente).
Por certo hão dizer que é a natureza humana, ao que contraponho que esse tipo de caráter não é natural. Não tenho dúvidas de que seja um comportamento adquirido, ou seja e pior, já é cultural. Como disse o momento é pleno de notícias que geram reflexões.
Também é momentoso o incipiente 63º lugar em qualidade de vida a nós atribuído pela ONU. Digo insipiente porque estamos alinhados com paises menos ricos que o nosso ou com aqueles que vêem de dificuldades que não tivemos. Ao observarmos com mais atenção o quadro que a ONU pintou, vamos notar que o quesito educação salta aos olhos como diferencial positivo dos melhores. Por que aliei os comentários? Porque sou obrigado a novo questionamento simples: por que, de fato, nem um político, ou governo nacional, concebeu uma política de educação que, verdadeiramente, objetivasse, mesmo que a longo prazo, educar nosso povo? Será que, uma vez mais, seremos remetidos à questão de não haver interesse em melhorar o nível daqueles infelizes que nasceram para trazer proveito aos eleitos? Se não é verdade, ao menos, nos é permitido pensar assim.
Os anos passam, as promessas permanecem, nós nada vemos (ou, covardemente, fingimos que não vemos), o Brasil continua a ser o país do futuro... Isso não, isso mudou. Pois não é que até essa afirmação esperançosa foi deixada para trás. Li, há pouco tempo, que cedemos o epíteto "País do Futuro" para a China, ou Índia, não importa, pois o importante e triste, é que não percebemos que o trem da História é inexorável, não perdoando os relaxados com sua hora. Hoje quando lia uma crônica de um americano acerca dos desacertos de seu atual governo, doeu-me o peito ler que ele enumerou entre as preocupações que os Estados Unidos deveriam ter o crescimento da China e da Índia, não citando, nem como possibilidade remota o desenvolvimento deste "Gigante Adormecido" e sem inflação.
E nós, o que fazemos? Somos surdos, enganados, mudos, acomodados, etc, mas somos acima de tudo coniventes.
E aí fica a reflexão maior: o que fazer?

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