23 fevereiro 2020

O GENERAL E AS PIRANHAS


No Brasil, Legislativo não é Poder, é negócio, negociata. Neste contexto deve ser ouvido o desabafo do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Tão somente neste. Não no do palavrão. Linguagem chula é intolerável em autoridades, a começar pelo presidente da República. Não é de hoje que o Congresso chantageia presidentes. De Sarney a Temer. Em julho de 2017, Temer liberou em emendas parlamentares 15 bilhões – R$ 15 bi – para escapar do primeiro processo. Quem orquestrou a salvação de Temer? Ora, o inflável odebrechtiano Rodrigo Maia, “Botafogo” nas planilhas da corrupção. Calculam-se R$ 32,1 bilhões irrigados no parlamento nos dois processos para salvar o presidente sob suspeita ampla, indignada, generalizada. A história das emendas parlamentares exala rapinagem explícita sob o rótulo de recursos levados por senadores e deputados às chamadas bases, desmentidos pela miséria fotográfica de, por exemplo, Nordeste e Norte, desassistidos do essencial e do acessório à vida digna, balela esculpida na Constituição Federal. A pressão parlamentar sobre Bolsonaro denuncia a forra  contra o fim do loteamento partidário de Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa, Eletrobrás, Nuclebrás e quejandos. Bolsonaro avisou em campanha que a gatunagem seria brecada. 57 milhões de brasileiros endossaram a parada nas urnas. A rebelião pela grana pública é ampla, ensandecida, escancarada, estarrecedora: mídia escrita, televisada, sindicatos, artistas, ONGs, senadores, deputados federais, governadores querem a volta da esbórnia do ilícito debochado de PT, PMDB, PP, exposto dolorosamente por mensalão, petrolão e por destemidos juízes de primeiro grau. Os gregos, tampouco o francês Montesquieu, jamais imaginaram que a representação popular se transformasse em ousada pilhagem por criaturas rapaces rastreadas pela Polícia Federal, o Ministério Pública, a Lava Jato.  A democracia, pensaram os fundadores, teria no Legislativo a pedra angular do governo em que o povo elege seus representantes, não rapinantes do Erário. O Congresso desenvolveu a síndrome da piranha insaciável com os bilionários fundos Partidário, Eleitoral e, como se pouco, tangido por hienas, disposto a imobilizar o Executivo com as vampirescas emendas parlamentares. O general Heleno, ex-comandante militar da Amazônia, sabe o que são piranhas.

José Maria Leal Paes
O autor é bacharel em Direito, jornalista, escritor e poeta.

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